Por entre, pontos e virgulas, linhas e quadrados, escrevemos histórias. Emocionantes, engraçadas, com finais felizes ou tristes. Na maioria delas somos os heróis. Miúdos e miúdas com super poderes que não sabiam que os tinham e que eventualmente irão “combater” os maus da fita. Nas minhas linhas não irão aparecer, nem temas de BD ou livros em que o nerd milagrosamente tira os óculos e a camisinha pateta e se torna num monstro de ginásio. Eu falo de sentimentos verdadeiros, e sobretudo limito-me a dizer que se tu sentes, toda a gente o sente mas se calhar de uma forma menos envolvente. Digo para desabafar, porque nunca fui muito boa a fazê-lo com outras pessoas, e também para perceber que o mais provável é que não seja o monstro de sete cabeças que eu penso que seja. Haveria mais pessoas que conseguiriam fazer letras de músicas mais interessantes com a vida pessoal delas do que sinceramente eu, mas eu nunca fui boa a expor qualquer tipo de sentimento. Sempre tive aquela bola em volta de mim que faz com que eu pense “quanto mais longe melhor”, a coisa mais gratificante que há na tal bola é que eu guardo demasiado bem segredos, mesmo se não conhecer a pessoa é quase do tipo “a vida é dela, mas que merda é que eu tenho a ver com isso?”e fico por aqui! Pode sempre parecer que não, mas eu ainda me importo, não com o que pensam de mim porque isso nem mesmo para assoar o nariz me serve (desculpem a expressão), mas com o que faz com que as outras pessoas á minha volta, terem sempre a mesma cara melancólica todos os dias. Eu quero saber. Conta. Não? Eu descubro á mesma. Essa é outra. Eu tento sempre saber de tudo, a curiosidade matou o gato, mas a mim ainda não! pouco tempo, ao ler um livro, descobri a razão de haver a tal bola. E até não era tão difícil de descobrir, mas eu sou um bocado cabeça no ar e o resto já sabem. Bem a razão é simples, quando ficas atolada de desgostos, perdas etc. acabas por te fechar em 100 e não deixar ninguém penetrar no teu cantinho para não vivenciares o que tinhas vivenciado e a tua bola de protecção explodir, e ficares ao relento em alerta vermelho por não teres algo que te proteja de tudo. Se foi o que me aconteceu e está acontecer a mim, não quero dizer, nem vou. Tirem as vossas conclusões. Há quanto tempo não choro. Há quanto tempo as lágrimas secaram. Não há muito, mas talvez quando as chorei não tivessem tido 101 significado e apenas tivessem tido um e esse era realmente um insignificante bastardo com o qual eu chorei. Burra! Sei o que sinto, o que senti, espero não me sentir diferente no futuro, sei o que vivi no bom no pior, sem super poderes nem um nerd para me proteger! Sobrevivi. A chorar e a rir e talvez as duas ao mesmo tempo. Perdi alguém e perdi-me a mim, encontrei-me mas esse alguém nunca mais vi. Chorei? Não. Nunca. Nem nada. Ouvi chorar, senti remorsos, mas não chorei. Se tenho saudades? Tenho, talvez nem as pessoas mais íntimas saibam que as tenho. Um dia, agora não, irei capaz de olhar para a frente e ter expectativas de tudo e de toda a gente. Serei capaz de arrebentar a “bola”, e não ter medo de nada. Um dia, irei deixar de chorar, mesmo não o fazendo, porque irá haver sempre um dia.