Chupas-chupas grandes, cheios de cores, que lhes metiam água na boca. As duas passavam horas e horas com a cara colada nas vitrinas das lojas de doces, a apreciar as suas formas redondas, a imaginar a satisfação de os estar a saborear sentadas num banco de um jardim a apanharem a sombra das folhas das árvores. Podiam partilhar tudo, até o desejado chupa-chupa gigante com que sempre sonharam. Partilhavam as meias ás riscas de cada cor, as blusas de manga curta e as de gola alta, as sabrinas e os ténis, os lápis de cor e os de carvão, para elas nada tinha etiqueta e se precisassem nem precisavam de pedir, apenas levavam, afinal no fim era tudo devolvido! Andavam as duas de mão dada pela rua principal, enquanto as pessoas que passavam perdiam tempo a olhar para elas, extasiadas.