precisava de inventar uma história. de imaginar uma imensidão de personagens. moldar paisagens e sentidos, adjectivizar aparências e carinhos. mas a única coisa que na minha cabeça se forma, sou eu e outras fantasias desconhecidas pelas faces ao meu redor, que não percebem, porque é que, passo eu horas a olhar para o nada! não me vou trasladar, a mim, da minha perfeita quimera para um insignificante e quebravel pedaço de papel que cai no chão e molha. recuso-me a citar, as imagens a que recorro para adormecer, em tinta azul indelével que apesar disso, borra. e, por fim, tudo o que faz a minha imaginação perspicaz e fluente, pelo menos até certo ponto, é um desconhecido ponto de interrogação (?). pelo menos ao meu parecer.