"Não suporto ter de te pedi para deixares de ser parvo, porque sei que não o és e, não quero que sejas muito menos para mim. A tua atenção nesse assunto pode não ser muita, mas não é só nesse assunto que tu aparentemente, não vez fundo nem razão… Os olhares mudam, as vontades dão a volta e começas a dar-me cabo da cabeça. É impossível para mim, tê-los os dois ao meu alcance, os dois ao pé de mim porque tu, sim só e simplesmente tu, mudas completamente para um alter-ego que eu não acho nada heróico. Ao pé do rapaz que eu achei que seria o meu melhor amigo de muitos e incontáveis anos, que agora me provoca desconforto por um motivo mórbido que me assusta e irrita que tu não o sabes porque por mais que eu te queira dizer tudo sobre a minha vida, os podres desta vidinha de princesa, não posso, porque se te disse-se, teria dizer os podres da vida das outras pessoas também e, por fim expor os sentimentos do meu supostamente melhor amigo. Não é muito a minha cara não é? Queres a verdade, verdade? Então prepara-te… Sábado, passado, fui ver a minha avó a um lar que a deixa miserável e para teres a certeza que não estou sequer a inventar, quando pus os pés naquele asilo não a reconheci. Debaixo daquele cheiro a idoso, a LAR. Nunca gostei de lares, nem por fora e muito menos de entrar lá dentro. Ela sempre foi de uma vivacidade inatingível e nisto somos extremamente parecidas, ela nunca estava quieta. Precisava sempre de alguma coisa para lhe preencher os dias. Deu a volta ao mundo, foi a terras que eu nem sei se um dia conseguirei ir. Sempre teve aqueles olhos verdes e reluzentes que mal olham para ti, parecem que te contam uma história. Da última vez, que olharam para mim, choraram. Contaram uma história triste, parada. Olhou para mim com tom cismático e naquele momento pensei em ti. Nunca fui boa, a ver pessoas a chorar especialmente familiares. A minha avó tem 75 anos, porra e sim, eu tenho pena e medo que talvez um dia, por causa daquela merda de doença ela se esqueça que sou neta dela e o meu nome é Madalena. A única coisa, que eu sou boa é a reprimir tudo, suster tudo até esse problema se encavalitar nos outros 10 ou 20 dos quais eu lamento não conseguir falar. Onde é que eu quero chegar com isto? Sábado passeio calada, sem nada para dizer, nunca me fizeram abrir a boca e sabiam perfeitamente de onde vinha as minhas bocas famintas e raivosas. Domingo, o peito pesava-me. Vivia em mim um misto de sensações entre as quais a imagem que me passou pela cabeça quando a via a chorar, ou seja tu. Saímos á noite. Sentei-me tirei no anel e faço o de sempre. Olho para o nada. Olhei para o ontem e depois apareces tu e por mais estúpido que pareça, tiraste-me tudo o que eu misturei. Até ao final da noite pensei em ti, olhei para dentro dos teus olhos, toquei-te, ri-me para ti e foste o único que me fez a mim um sorriso."