“Não tenho mais nada para dizer. Não tenho mais nada para te dizer e o melhor mesmo é virar as costas e correr mundo. Sozinha. Não vejo razão para voltar atrás e voltar a reviver tudo o que aconteceu, o que nos aconteceu e por isso resolvi parar. Vou parar tudo e continuar em frente. Virar-te as costas e voltar a viver novamente. Livre. É a nossa oportunidade agora. Peço para não cair na asneira de olhar atrás e ver-te novamente e desejar voltar. Para ti, para um nós que acabou. Vai parar. O bater vai estagnar e nunca mais olharei para dentro dos teus olhos, do verde penetrante. Vou sentir o frio da noite quando não estás, sentir o chão debaixo dos meus pés e olhar novamente para as caras que preenchem e sempre preencheram os meus dias e deixarei de ver apenas a tua. Vou correr mundo, e dormir de hotel em hotel e sim continuarem a levar uma foto nossa debaixo de tanta roupa, amarrotada e suja das vezes que perdi tempo a chorar por tua causa, das noites que adormeci agarrada a ela na esperança de voltar tudo ao normal e por mero acaso voltava sempre. Continuarei a lembrar-me da facilidade com que davas comigo eu doida e a forma infantil como eu adorava isso. A maneira como venerava tudo o que tinha a ver contigo, como me fazia bem. Como me fazias bem. Estranho como mudou tudo para o lado errado, assim do nada, de um dia para o outro. Os dias que me arrancavas melancolicamente tudo o que podias e conseguias sem permissão, ias-me destruindo e rebaixando. Sofri e contra todas as expectativas segui o melhor caminho, e hoje não há sinal de ti em qualquer pedaço do meu corpo. Morres-te.”