Olhei, parei, tentei escolher mas não consegui. Estás-me cravado na pele e não sais tão facilmente. Dei por mim a pensar nisto enquanto pendurava a roupa e finalmente parei. Pousei tudo no chão e sentei-me a um canto do quarto a ouvir música, a preciosa música, fechei os olhos e vi-te. Outra vez. Vi tudo outra vez como no cinema, sentada na plateia a ver a película rolar. Porém, não abri os olhos, nem pestanejei e por mais que me custe admiti-lo gostei. Agora que penso e racionalizo tudo muito mais claro, a decisão foi a pior de todas e a culpa continua a ver minha, aliás, é minha. É porque, fechei os olhos e jurei nunca mais os abrir, virei as costas, fiz-me de forte e por mais obstáculos que eu disponha no meio ‘disto’, é impossível virar as costas. Infelizmente para mim, é tarde de mais para voltar a abri-los.