Fecho os olhos e estou finalmente contigo. Sinto a tua mão, a textura do teu cabelo, o som da tua voz, a forma como me tocas e beijas, o cheiro do teu perfume viciante e aí sim, consigo acalmar este coração magoado. Assim consigo afastar a saudade que me arruína o resto do corpo e me destruí a cabeça. Abraços que eu posso reproduzir, vezes e vezes, sem parar, sem acabarem, sem distância. Para meu mal, o despertador toca, e volto á cruel realidade que me arranca tudo de volta á terra dos sonhos sem permissão. Irradia-me a mistica forma como sei sentir tão bem a tua mão. A tua cara encostada á minha, o meu reflexo claro nos teus olhos e a maneira como eles brilham. O bem que isso me faz nos sonhos e a calma que me invade na realidade. É só fechar os olhos, procurar-te no meio de tantos sonhos perdidos, agarrar-te com a força de mil pessoas e perder-me dentro deles, na esperança de nunca acabarem, de durarem eternamente, de o sono ser interminável e poder permanecer no meio dos teus braços para sempre. Agarrada e sustentada a ti e a tudo o que te é sinónimo. A tudo o que tens, a tudo o que me podes dar, a tudo o que eu tenho saudades mas a realidade me rouba. Isso que, em chão firme, me rouba a fome, a vontade, a certeza, o interesse, e a concentração e que em terras de nuvens me devolve o toque, a magia, e tudo o resto que me tira e volta a dar quando fecho os olhos e mergulho bem fundo.